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A paciência é uma virtude, que diz respeito à capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, dores, infelicidades, etc. com resignação. Ou seja, um sujeito resignado é aquele paciente às contrariedades da vida; é aquele sujeito, que com calma e tranquilidade, consegue atravessar todas das dificuldades da vida material ou, se não consegue todas, boa parte dos obstáculos são vencidos com sabedoria e paz. Ainda mais, a paciência é uma virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Consiste basicamente de tolerância a erros ou fatos indesejados.

Não obstante, a paciência é uma virtude que só é conquistada com o transcorrer das eternas encarnações submetidas aos espíritos. A paciência, a paz, a tranquilidade, a serenidade, a quietude são valores espirituais que, definitivamente, só iremos conseguir através das provas e expiações experimentadas no decorrer da nossa evolução. Não é a toa que devemos, em primeira instância, agradecer a Deus pelas dificuldades que são colocadas para nós, afinal, tais dificuldades nada mais são do que aprendizados. Nada mais são do que “passaportes” para as bem-aventuranças, para as virtudes. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo IX, item 7, encontramos a seguinte passagem:

A dor é uma benção que Deus envia aos seus eleitos. Não vos aflijais, portanto, quando sofrerdes, mas, pelo contrário, bendizei a Deus todo poderoso, que vos marcou com a dor neste mundo, para a glória no céu.

Sede paciente, pois a paciência é também caridade, e deveis praticar a lei de caridade, ensinada pelo Cristo, enviado de Deus. A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de todas. Mas há uma bem mais penosa, e conseqüentemente bem mais meritória, que é a de perdoar os que Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e submeterem à prova a nossa paciência.

A vida é difícil, bem o sei, constituindo-se de mil bagatelas que são como alfinetadas e acabam por nos ferir. Mas é necessário olhar para os deveres que nos são impostos, e para as consolações e compensações que obtemos, pois então veremos que as bênçãos são mais numerosas que as dores. O fardo parece mais leve quando olhamos para o alto, do que quando curvamos a fronte para a terra.

Coragem, amigos: o Cristo é o vosso modelo. Sofreu mais que qualquer um de vós, e nada tinham de que se acusar, enquanto tendes a expiar o vosso passado e de fortalecer-vos para o futuro. Sede, pois, paciente, sede cristãos: esta palavra resume tudo.

A paciência, portanto, é o amparo destinado aos nossos obstáculos! A paciência significa persistir sem cansaço e lutar para alcançar o triunfo definitivo pelo caminho do amor; diante das dificuldades, face aos infortúnios da nossa vida, perante as dolorosas passagens de nossa existência planetária, que precisamos resgatar, a paciência surge para nos acalmar, para nos consolar e nos esclarecer. O importante é não nos arrojarmos no desespero, afinal, todas situações que produza circunstâncias boas ou más, são transitórias pelo caminho da nossa existência. Tenhamos Paciência, seja qual for a dor que estejamos enfrentando! Confiemos em Deus e em sua Justiça! Tudo Passa!

 

Não há problema que não possa ser solucionado pela paciência. (Chico Xavier)

 

Muita paz a todos!

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As parábolas são pequenas histórias, são alegorias que parecem dizer coisas diferentes daquilo que está escrito. Jesus Cristo ensinava por meio de parábolas quando esteve entre nós. Ele aproveitava os fenômenos da natureza, os costumes rurais, os hábitos do povo, etc. para que pudesse ser mais bem compreendido por aqueles que estavam ali, em busca dos seus ensinamentos.

Não obstante, para compreendermos as parábolas é preciso buscar o verdadeiro espírito das mesmas. Ou seja, é preciso tecer, para melhor entender, uma exegese* até encontrar o sentido espiritual dos ensinos contidos em cada parábola.

A Parábola do Semeador é uma das mais belas parábolas ensinada e explicada por Jesus. Naquele dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se a beira do mar e em torno dele reuniram-se várias pessoas. Ele entrou num barco, sentou-se e começou a falar:

O semeador saiu para semear suas sementes. E quando semeava, uma parte caiu à beira do caminho, vieram as aves e as comeram. A segunda parte caiu nas pedras, onde não havia terra suficiente, logo as sementes nasceram. Mas, veio o sol e as queimaram, matando-as, pois não tinha umidade suficiente. A terceira parte das sementes caiu entre os espinhos, com elas cresceram, mas os espinhos as sufocaram e elas morreram. A quarta e última parte caiu em boa terra e tendo crescido, deu frutos. Umas cem por um, outras a sessenta e outras a trinta.’

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

Então um dos seus discípulos perguntou a Jesus:

– Mestre o que significa o ensino desta parábola?

E Jesus respondeu:

– A vós é dado o direito de conhecer certos mistérios de Deus. Mas a outros ainda não é chegada a hora. Eles ouvem, mas não entendem, mas vós tendes condições. Ele fez uma comparação de quatro tipos de solo de acordo com a evolução espiritual de cada um.

A semente é a palavra de Deus; para os que estão na beira da estrada, para os que estão sob as pedras, para os que estão entre os espinhos e para os que estão sobre a boa terra.

E o semeador desta parábola é Jesus Cristo, as sementes são os ensinamentos de Deus que foram distribuídos pelo mundo. As terras que recebem as sementes representam o estado moral e intelectual de cada um de nós.

O caminho da beira da estrada é um solo compacto, as sementes ficam fáceis de serem comidas pelas aves; assim são os corações endurecidos dos que não se deixam tocar pelas palavras do Senhor. São pessoas que não confiam em ninguém, que valorizam excessivamente os bens materiais, etc. Algumas dessas pessoas nem acreditam em Deus, acreditando que precisam viver com excessos, pois a vida é uma só. Jesus compara as aves aos espíritos maus, que aproveitam a incredulidade e o egoísmo dessas pessoas.

As sementes que caíram nas pedras, as quais morreram por falta de umidade e profundidade do solo são comparadas as pessoas que ouvem as palavras de Deus e ficam encantadas, mudam suas vidas radicalmente e tudo que fazem é voltado para Deus, acreditando que não terão mais problemas. Mas a vida não é assim A escolha e a dedicação em servir a Deus não nos livra das nossas dívidas. Ela nos dá forças para suportarmos as nossas provas e expiações.

Quando surgem os problemas, tais indivíduos ficam decepcionados, sentem-se injustiçados por Deus e abandonam a sua fé. Como diz a parábola, a semente nasceu, mas não tinha raízes profundas para crescer, veio o sol da descrença e queimou a fé.

As sementes que caíram no espinho representam as pessoas que escutam as palavras do Senhor, entendem e até as aceitam, mas têm muitos afazeres, não tem tempo para se dedicar a sua crença, adiam sempre e sempre.

A última parte das sementes que caiu em terra boa, finalmente, diz respeito às pessoas que entendem que a vida material não é tudo, buscam o caminho do Senhor, buscam respostas e consolos para suas aflições, buscam amar ao próximo, a prática da caridade é um hábito em suas vidas. São pessoas que visam mudar os seus vícios para melhor seguir as leis de Deus; Meus irmãos! Deixemos brotar essas sementes dentro dos nossos corações, para que elas possam nascer, florescer e se fortificarem cada vez mais. Vamos “adubar” os nossos corações para que possamos receber os ensinamentos de Deus, sem perder a fé, a esperança, etc., afinal, não podemos deixar que os nossos defeitos sufoquem as “sementes”, isto é, a fé, a palavra de Deus.

Muita paz a todos!

*Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese, assim como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese deriva do grego exegeomai, exegesis; ex tem o sentido de ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por; quer dizer, no caso, conduzir, guiar.

Por isso, o termo exegese significa, como interpretação, revelar o sentido de algo ligado ao mundo do humano, mas a prática se orientou no sentido de reservar a palavra para a interpretação dos textos bíblicos. Exegese, portanto, é a denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. Orígenes, cristão egípcio que escreveu nada menos que 600 obras, defendia a interpretação alegórica dos textos sagrados, afirmando que estes traziam, nas entrelinhas de uma clareza aparente, um sentido mais profundo. O termo exegese restou ligado à interpretação alegórica, ensejando abusos de interpretação, a ponto de alguns autores afirmarem, ironicamente, que a Bíblia seria um livro onde cada qual procura o que deseja e sempre encontra o que procura.

Ser exegeta é aplicar o texto no contexto cultural da época do texto lido e extrair os princípios morais e culturais para o tempo presente. (by wikipedia).

Eis aí uma virtude que o meu espírito carece. Creio que precisarei de outras mais encarnações para aprender ser uma pessoa serena…

Mãe, fez bem ter comentado sobre a serenidade; o tema serenidade é muito importante e às vezes vem carregado de obscuridades. Muitas pessoas acham que a paz espiritual, isto é, a serenidade, significa a ausência de problemas ou de obstáculos. O que não tem nada a ver, afinal, os problemas e os obstáculos são nossas oportunidades de aprendizado e de iluminação interior e devem ser reconhecidas. Nesse sentido, o teólogo norte-americano e protestante Reinhold Niebuhr escreveu a oração da serenidade. Em sua parte básica, mais conhecida popularmente a oração diz assim: “Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”. Nessa oração podemos destacar quatro virtudes ou comportamentos básicos essenciais para a aquisição do equilíbrio e da harmonia com o mundo em que vivemos: serenidade, aceitação, coragem e sabedoria. Diante de sua realidade, o homem pode buscar duas situações: satisfazer suas necessidades considerando como valor as coisas do mundo material, ou colocando seu ponto de vista nos valores do espírito. Podemos então escolher entre buscar a paz do mundo ou construir a paz do Espírito, ou a paz que o Cristo nos deixou.

Beijos!

(A.C.L.B)

Certa ocasião alguém pediu a dois pintores que retratassem em suas telas algo que pudesse representar a serenidade. Algo que expressasse a serenidade do ser. O primeiro artista pintou em sua tela uma belíssima paisagem: um dia maravilhoso, o verde da vegetação enfeitado pelo colorido das flores, pássaros voando e um rio correndo suavemente.

O segundo artista retratou em sua tela uma forte tempestade, raios brilhando no céu, trovões, ventania e muita chuva. E sobre uma árvore um ninho de pássaros onde calmamente os filhotes eram aquecidos, sem mostrarem alteração nenhuma com o que estava acontecendo na natureza.

Entendemos que o segundo artista quis nos mostrar que a serenidade do ser não é um fator externo. A serenidade está dentro de cada um, não importante o que está externos ao nosso ser.

A serenidade faz parte do nosso processo evolutivo. Somos criaturas em aprendizado e buscamos uma vida harmoniosa, embora vivamos muitas vezes na inquietação e a ela nos acomodamos. Para muitas pessoas, o equilíbrio do ser é algo inatingível. Entretanto, não é bem assim como comumente se entende, afinal, o homem sereno também é um ser em evolução e possivelmente passará por provas e expiações como todos nós. Passar por provas e expiações enquanto encarnados faz parte de todos nós, espíritos em evolução. Ora, se fôssemos perfeitos não estaríamos aqui compartilhando o mesmo mundo com os demais. Estaríamos em mundos mais adiantados.

Caminhemos sem medo, enfrentemos as nossas quedas com coragem, com fé, aceitando que Deus sabe o que é melhor para cada um de nós. Busquemos o equilíbrio e a serenidade nos ensinamentos do nosso Mestre Jesus. Somos espíritos libertos, com direito de exercer o nosso livre-arbítrio, com todas as delícias e tormentos, pois tudo que acontece na nossa vida é um aprendizado e nos ajuda a evoluir.

Para encontrarmos o equilíbrio e a serenidade, é preciso compreender e vivenciar cada vez mais os ensinamentos do Mestre Jesus.  Certa ocasião, disse Gandhi: “se todos os livros do mundo fossem destruídos e só restassem os escritos do ‘Sermão da Montanha’, a humanidade teria à sua disposição um conjunto de ensinamentos que levaria a felicidade e a libertação”.

Para os cristãos, todo este arcabouço de ensinamentos deixados pelo nosso Irmão Maior Jesus Cristo é a mais consoladora herança deixada para a Humanidade. Tal herança deve ser implantada em nossas vidas e em nossos espíritos. Posteriormente, Allan Kardec e a Espiritualidade Superior, orientados pelo Espírito da Verdade, nos recomendaram: “Espíritas, amai-vos e instruí-vos” (vide a obra Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI).

Muita paz a todos!

As questões referentes aos animais intrigam muitos espíritas. Entre tais questões, podemos destacar a seguinte: por que os nossos animais de estimação (cão, gato, etc.) sofrem? Nós sabemos que, fisiologicamente, eles possuem nervos e tudo mais, mas qual seria o objetivo da “dor” para os animais irracionais?

Por serem tidos como animais irracionais, isto é, por não raciocinarem como os seres humanos raciocinam, por tal razão, os animais não são dotados de livre-arbítrio (vide questão 595, LE), são amorais, não têm consciência, não sabem distinguir entre o certo e o errado e nem são dotados de outras faculdades ligadas à razão. Não obstante, segundo a Doutrina Espírita, o instinto, que é inerente a todos os animais irracionais, é uma forma de inteligência; nas questões 71, 73, 74 e 75. a) de O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte referência:

71. A inteligência é um atributo do princípio vital?

— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.

Comentário de Kardec: A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.

Podemos fazer a seguinte distinção: l.°) os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2.°) os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3.°) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar

73. O instinto é independente da inteligência?

— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.

74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?

—Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.

75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?

— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.

75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?

— Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.

Comentário de Kardec: O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.

O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.

Os animais podem não ter uma inteligência racional, como nos afirma a Espiritualidade Superior, mas tal fato não exclui a possibilidade deles terem almas, como se pode verificar nas seguintes respostas dadas a Allan Kardec:

597. Pois se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?

       — Sim, e que sobrevive ao corpo.

597 – a) Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?

       — É também uma alma, se o quiserdes: isso depende do sentido em que se tome a palavra; mas é inferior à do homem. Há, entre a alma dos animais e a do homem, tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus.

As almas dos animais são inferiores às dos homens, ensina-nos os Espíritos Superiores, os animais não têm autonomia para escolherem, não são animais que pensam e que agem por sua livre vontade, não tem consciências, etc. Portanto, não se pode afirmar que os sofrimentos, as dores que os animais irracionais vivenciam servem para que eles repararem algo. Para os animais não existe expiação, não existem provas reencarnatórias, etc.  

Todavia, para nós que somos espíritos errantes, as dores e os sofrimentos são aprendizados que nos ajudam a progredir por meio de provas e expiações. Nós sabemos que os animais também progridem (vide questões 601 e 602, LE), mas não evoluem por força da vontade, já que são desprovidos de livre-arbítrio. De acordo com O Livro dos Espíritos, os animais progridem por força da natureza, pelo curso da mesma. Mas, será que as dores e os sofrimentos que os animais sentem, não são fatores que implicam no progresso deles? Será que os animais não estão aprendendo a lidar com as suas emoções, preparando-se um dia para entrar no reino hominal? Na verdade, o único animal que conhecemos um pouco mais e que compreendemos um pouco das suas faculdades é o ser humano. Entretanto, eis mais um questionamento: será que o comportamento humano pode servir de parâmetro para conhecermos mais os outros animais? São questões para se pensarem com cuidado e atenção.

Por fim, convido-os a estudarem as perguntas 592 a 609 de O Livro dos Espíritos, para conversamos ainda mais sobre este assunto ainda tão complexo e obscuro para nós.

Muita paz a todos!

ilzamaria@hotmail.com

Havia um homem que se vestia de púrpura e de linho e que se tratava magnificamente todos os dias. Havia também um pobre chamado Lázaro, estendido à sua porta, todo coberto de úlceras, que quisera saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; mas ninguém lhas dava e os cães vinham lamber-lhe a ferida. Ora, aconteceu que esse pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. O rico morreu também e teve o inferno por sepulcro.

E quando estava nos tormentos, levantou os olhos para o alto e viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio; e gritando disse estas palavras: ‘Pai Abraão, tende piedade de mim, e enviai-me Lázaro, a fim de que ele molhe a ponta de seu dedo na água para me refrescar a língua, porque sofro tormentos externos nesta chama’. Mas Abraão lhe respondeu: ‘Meu filho, lembrai-vos que haveis recebido vossos bens em vossa vida e Lázaro não teve senão males; por isso, ele está agora na consolação, e vós nos tormentos. Além disso, há para sempre um grande abismo entre nós e vós; de sorte que aqueles que querem passar daqui para vós não o podem, como ninguém também pode passar para aqui do lugar em que estais’ (Lucas, Cap. XVI, Vv. 19 a 26).

O rico lhe disse: ‘Eu vos suplico, pois, pai Abraão, enviá-lo à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a fim de que lhes ateste estas coisas, de modo que eles não venham também para este lugar de tormentos’. Abraão lhe replicou: ‘Eles têm Moisés e os profetas que os escutem’. ‘Não – disse ele – pai Abraão, mas se alguns dos mortos procurá-los, eles farão penitência’. Abraão lhe respondeu: Se eles não escutam Moisés e os profetas, não crerão mais do que neles, quando mesmo algum dos mortos ressuscitasse’ (Lucas, Cap. XVI, Vv.27 a 31).

Nas mais variadas encarnações que o espírito vivencia, poderá experimentar duas condições dicotômicas: rica ou pobre, de acordo com a sua vontade, merecimento e programação. Não obstante, a maneira como o espírito encarnado irá vivenciar uma condição ou outra, será definida pelo seu caráter e pelo exercício de seu livre-arbítrio.

Cada vez mais, assistirmos inúmeras lutas incessantes pelo poder, pelo enriquecimento financeiro, pela fama, etc. Paralelo a esta realidade, infelizmente, esquecemos que o que levamos conosco para a dimensão espiritual depois do nosso desencarne são apenas os reflexos das nossas boas ou más ações e atitudes que praticamos enquanto estávamos encarnados.

Nos versículos citados anteriormente, Jesus nos mostra que o rico, enquanto vivenciava na Terra a “prova da riqueza”, não conseguiu nenhum êxito diante aos olhos de Deus, pois não fez nada pelos seus irmãos mais necessitados, como o Lázaro; ao gozar de muitas riquezas, o rico tinha condições o suficiente para ajudar Lázaro, mas não o ajudou mesmo assim. Lázaro, por sua vez, conseguiu atravessar com glória a “prova da pobreza”, aceitando a sua miséria com resignação.

Evidentemente, não podemos afirmar que todo aquele que é rico é automaticamente mau e que todo aquele que é pobre é automaticamente um ser resignado, pois Deus não condena o dinheiro. De acordo com a interpretação da Doutrina Espírita, tanto a riqueza quanto a pobreza são “provas” dificílimas para todas as criaturas que as experimentá-las. Com respeito ao dinheiro, o que é reprovável para Deus é como o dinheiro será usado por aquele que o possuir; o rico será avarento? Ganancioso? Ou o rico conseguirá ajudar ao seu próximo? Não podemos esquecer que o que iremos plantar dependerá da nossa vontade, das nossas escolhas, mas a colheita é obrigatória, isto é, deveremos arcar com todas as consequências das nossas escolhas e das nossas atitudes.  

Meus irmãos, importante é ressaltar também que se estamos agora encarnados devemos aproveitar cada oportunidade que esta atual encarnação nos apresenta; oportunidade de renovação, de mudanças para ser cada vez melhor.

Outra questão importante a ser destacada é que nesta parábola, Jesus nos fala da comunicabilidade com os “mortos”. O homem rico não pediria para que Lázaro fosse falar com os seus irmãos se essa prática não fosse possível, pois a comunicabilidade com os “mortos” não é uma prática só nossa, isto é, a comunicabilidade não é tão somente uma prática dos últimos tempos.

Por último, deve-se deixar claro que Deus, segundo a compreensão espírita, não condenou o rico ao fogo eterno, pois ele na sua imensa bondade dará tantas outras oportunidades (encarnações) quantas forem necessárias para que ele possa alcançar a plenitude.

Muita paz a todos!

 

Referência: 

Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier , Cap. 8.

ilzamaria@hotmail.com

Os jornais têm cada vez mais noticiado sobre a última tragédia no Rio de Janeiro provocada pelas enchentes que deixaram centenas de mortos e desaparecidos na Região Serrana do Estado. Tal tragédia nos afetou, deixando os nossos corações entristecidos. Diante de destruições como estas, ficamos até mesmo inconformados com as atitudes de Deus: como pode Deus permitir tantos flagelos e tantas destruições, causando sofrimentos às vítimas? Será por acaso? Há alguma razão?

Um dos princípios que permeia a Doutrina Espírita é a lei de causa e efeito. O acaso não existe para o Espiritismo. De acordo com Allan Kardec, a Lei de causa e efeito  é um dos princípios fundamentais preconizados pela Doutrina Espírita para explicar as contingências ligadas à vida humana. Também é conhecida na literatura espírita como Lei da causalidade. Segundo ela, a todo ato da vida moral do homem corresponderia uma reação semelhante dirigida a ele. A Lei de causa e efeito, segundo a compreensão Kardec, distanciava-se da concepção de Karma, erroneamente difundida no Ocidente, por não admitir o determinismo e sim o exercício do livre-arbítrio. A Lei de causa e efeito procura explicar os acontecimentos da vida atribuindo um “motivo justo”, e uma “finalidade proveitosa” para todos os acontecimentos com que se depara o homem, inclusive o sofrimento.

A Lei da causalidade, ou de causa e efeito, está intimamente ligada a Lei de destruição. No Livro dos Espíritos de Allan Kardec, no capítulo VI, item II, perguntas 737  à 741, a Espiritualidade Superior nos explica a razão desses trágicos acontecimentos que muitas vezes, à primeira vista, pode nos parecer desprovido de justiça divina.

Segundo a Lei de Destruição, os flagelos destruidores são permitidos por Deus na medida em que os resultados que deles advêm, e que nem sempre são vistos, admitidos e aceites pelo homem, os levam a uma regeneração moral, dando advento a uma melhor ordem, que se realiza em poucos anos, em vez de alguns séculos. São meios de aceleração do progresso da humanidade que, pelas dificuldades, se vê obrigada a mudar a maneira de agir. Tais meios, porém, são de exceção, pois, regularmente, o homem tem, como meio de progredir, o conhecimento do bem e do mal, que, não sendo convenientemente usado pelo livre-arbítrio, resulta em medidas de exceção, tomadas pela lei de equilíbrio que rege a vida das pessoas, dos grupos, da sociedade, das nações e da humanidade.

Pelo fato dos espíritos preexistirem e sobreviverem a tudo, eles formam o mundo real. Os seus corpos físicos e o meio físico no qual eles desenvolvem as suas potencialidades espirituais são meros instrumentos de aperfeiçoamento do verdadeiro eu espiritual. Portanto, quaisquer flagelos que nos atinjam, enquanto encarnados e pelo tempo que for, nada mais serão que meios de educação para a eternidade. Paciência, resignação, abnegação, desinteresse, amor ao próximo, são sentimentos que caracterizam o homem livre do egoísmo. A forma pela qual eles são conquistados é secundária, tanto podendo ser por adoção como pelo sofrimento que advém da não adoção. Grande parte dos flagelos são resultados da imprevidência e do abuso, como se fossem um contragolpe às manifestações orgulhosas e cheias de vaidade do homem. Ou seja, os flagelos são efeitos de causas “criadas” preteritamente.  

Importante é ressaltar que Deus não castiga a humanidade, a Lei da destruição não provoca efeitos injustos. Tal lei é importante para a evolução da humanidade. Entretanto, é verdade que, às vezes, Deus pode empregar alguns “meios” que para nós são dolorosos e/ou que fogem a nossa compreensão mediana, como 0s flagelos ou as guerras, mas ela é extremamente fundamental para a nossa evolução enquanto espíritos eternos e nada mais refletem os efeitos do exercício do nosso livre-arbítrio.

Por fim, os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar a inteligência e a resignação ante a vontade de Deus e permitir desenvolver os sentimentos de abnegação. É importante também lembrar que a morte do corpo físico existe para todos nós encarnados. Mesmo que não venhamos a desencarnar em virtude de flagelos, todos nós teremos que deixar a Terra e continuar a nossa vivência espiritual em outras instâncias. Mesmo que não tenhamos vividos flagelos, com certeza, teremos ou já tivemos outras provas e outras expiações em nossa atual existência. Tudo em prol do nosso progresso espiritual, a nossa verdadeira condição.

Diante de tantas provas, flagelos e destruições, precisamos confiar em Deus e em sua justiça, lembrando que nada acontece por acaso, nada acontece sem que Deus o permita.

Eis aqui uma pequena reflexão,

Muita a paz a todos!

Espíritas amai-vos; espíritas instrui-vos.
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