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O Espiritismo é a ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual, e as suas relações com o mundo corporal; ele no-lo mostra, não mais como uma coisa sobrenatral, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessante ativas  da natureza.. Cap. I item 5 ESE .

Allan Kardec trouxe trouxe uma idéia sobre espiritualidade para o mundo. O eminente educador traz para o mundo através da espiritualidade  a idéia da imortalidade da alma, a crença na reencarnação , derrubando assim os preconceitos de classe social, etnia, sexo, pois a cada reencarnação podemos vir em diferentes situações.

O Espiritismo explica a  verdadeira natureza do homem, mostrando  que o seu destino é o fruto das suas escolhas. Porém tudo tem o seu tempo certo,  todos tomarão conhecimento, cada um na sua hora, conforme explica Paulo quando escreve às igrejas Galácia: ¨ Porque a seu tempo tudo ceifaremos ¨

Muita paz

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Muitas criaturas estão sem rumo,  de um lado uma infinidades de religiões prometendo a salvação da alma e a felicidade na terra, e do outro lado o materialismo implacável afirmando que a morte é um sono, do qual não mas acordaremos. Que fazer? – Apoiar-se nas religiões repletas de proibições, cheias de supertições e ameaças, esperando que caso exista um Criador possam ser merecedores das promessas religiosas? Isaac Newton um dos maiores cientistas de todos os tempos era também profundo estudioso da Bíblia. Para ele, os movimentos dos planetas não podiam ter se originado  em uma causa natural isolada, ¨Mas foram impostas por um agente inteligente¨ . Newton conseguiu compatibilizar a fé religiosa com o conhecimento científico.

Entre as duas opções encontra-se o ser humano, sem saber se aceita a religião sem provas ou a ciência repleta de descobertas importantes, mas que garante o nada após a morte. Quando na realidade o homem vivendo no mundo material, tem necessidade da ciência e da religião.

A ciência dando qualidade de vida material e a religião dando suporte ao espírito imortal. Neste particular nenhuma outra filosofia tem argumentos mais sólidos e lógicos dos  que encontramos na Doutrina Espírita, que  nos dá a certeza absoluta, da necessidade da ciência e da religião.

O Espiritismo  como Consolador prometido por Jesus, pode ajudar as criaturas  a encontrar  o equilibrio,  pois nos aclara a visão para a importância da vida do homem  aqui na terra. É necessário entendermos o valor da ciência e da religião na vida de todos nós,  seres em evolução, pois estão nos designios de Deus e derivam da lei do progresso.

Muita Paz

REVISTA ESPIRITA
JORNAL
DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS
6a ANO NO. 9 SETEMBRO 1863
UNIÃO DA FILOSOFIA E DO ESPIRITISMO.
 
Nota. – O artigo seguinte é a introdução a um trabalho completo que o autor, Sr. Herrenschneider, se propôs fazer sobre a aliança entre a filosofia e o Espiritismo.
 
Há dez ou doze anos que o Espiritismo foi revelado na França, as comunicações incessantes dos Espíritos provocaram, em todas as classes da sociedade, um movimento religioso benfazejo que importa encorajar e desenvolver. Neste século, com efeito, o Espírito religioso está sobretudo perdido entre as classes letradas e inteligentes. O sarcasmo voltairiano tirou-lhe o prestígio do cristianismo; o progresso das ciências lhes fez reconhecer as contradições que existem entre os dogmas e as leis naturais; e as descobertas astronómicas tinham demonstrado a puerilidade da ideia que formaram de Deus os filhos de Abraão, de Moisés e do Cristo. O desenvolvimento das riquezas, as invenções maravilhosas das artes e da indústria, toda a civilização protestava, aos olhos da sociedade moderna, contra a renúncia ao mundo. Foi por causa desses motivos numerosos que a incredulidade e a indiferença se introduziram nas almas, que a negligência dos destinos eternos tinha entorpecido o nosso amor do bem, detido nosso aperfeiçoamento moral, e que a paixão do bem-estar, do prazer, do luxo e das vaidades terrestres acabou por cativar quase toda nossa ambição; quando, de repente, os mortos vieram nos lembrar que nossa vida presente tem o seu amanhã, que nossos actos têm suas consequências fatais, inevitáveis, senão sempre nesta vida, mas infalivelmente naquela a vir.

 

Essa aparição dos Espíritos era uma paixão súbita, que fez tremer mais de um ao aspecto desses móveis postos em movimento sob o impulso de uma força invisível; à audição desses pensamentos inteligentes, ditados por meio de uma telegrafia grosseira; à leitura dessas páginas sublimes, escritas de nossas mãos distraídas, sob o impulso de uma direcção misteriosa. Quantos corações batiam, tomados de um medo súbito, quantas consciências oprimidas despertaram em angústias merecidas; quantas inteligências mesmo foram feridas de estupor! A renovação dessas relações com as almas dos mortos é e ficará um acontecimento prodigioso, que terá por consequência a regeneração, tão necessária, da sociedade moderna.

 

É que, quando a sociedade humana não tem outro objectivo de actividade senão a prosperidade material e o prazer dos sentidos, ela mergulha no materialismo egoísta, aprecia todas as acções segundo o bem que delas retira, renuncia a todos os esforços que não levam a uma vantagem palpável, não estima senão aqueles que possuem, e não respeita senão a força que se impõe. Quando os homens não se preocupam senão com os sucessos imediatos e lucrativos, perdem o senso de honestidade, renunciam à escolha dos meios, calcam aos pés a felicidade íntima, as virtudes privadas, e cessam de se guiar segundo os princípios de justiça e de equidade. Numa sociedade lançada nessa direcção imoral, o rico leva uma vida de moleza ignóbil, embrutecedora, e o deserdado nela arrasta uma existência dolorosa e monótona, da qual o suicídio parece ser a última consolação!

 

Contra uma semelhante disposição moral, pública e privada, a filosofia é impotente.

 

Não que os argumentos lhe façam falta para provar a necessidade social de princípios puros e generosos, não que ela não possa demonstrar a iminência da responsabilidade final, e estabelecer a perpetuidade de nossa existência, mas os homens não têm, geralmente, nem o tempo, nem o gosto, nem o espírito bastante reflectido, para prestar atenção à voz de suas consciências e às observações da razão. As vicissitudes da vida, aliás, frequentemente, são muito imperiosas para que se decida ao exercício da virtude pelo simples amor ao bem. Quando mesmo que a filosofia tivesse sido, verdadeiramente, o que deveria ser: uma doutrina completa e certa, jamais teria podido provocar, só pelo seu ensino, a regeneração social de maneira eficaz, uma vez que até este dia não pôde dar, à autoridade de sua doutrina, de outra sanção senão do amor abstracto do ideal e da perfeição.
 
É que aos homens é preciso, para convencê-los da necessidade de se consagrarem ao bem, factos que falem aos sentidos. Preciso lhes é o quadro impressionante de suas dores futuras, para que consintam em subir novamente a rampa funesta onde seus vícios os arrastam; é-lhes preciso tocar com o dedo as infelicidades eternas que se preparam por seu desleixo moral, para que compreendam que a vida actual não é o objectivo de sua existência, mas o meio que o Criador lhes deu de trabalhar pessoalmente no cumprimento de seus destinos finais. Também é por esse motivo que todas as religiões apoiaram seus mandamentos sobre o terror do inferno e sobre as seduções das alegrias celestes. Mas, desde que, sob o império da incredulidade e da indiferença religiosa, as populações se tranquilizaram sobre as consequência últimas de seus pecados, uma filosofia fácil e inconsequente ajudando o culto dos sentidos, dos interesses temporais e das doutrinas egoístas, acabou por prevalecer. Hoje os homens esclarecidos, inteligentes e fortes se afastam da Igreja e seguem suas próprias inspirações; a autoridade necessária lhe faz falta para recobrar sua influência vinte vezes secular. Pode-se, pois, dizer que a Igreja é tão impotente quanto a filosofia, e que nenhuma nem outra exercerão influência salutar sujeitando-se, cada uma em seu género, a uma reforma radical.

 

À espera disso, a Humanidade se agita, os acontecimentos se sucedem, e o aparecimento das manifestações espíritas neste século sábio, prático, suficiente e céptico, sem contradita, dele é o mais considerado. Eis, pois, que o túmulo está aberto diante de nós, não como o fim de nossas penas e de nossas misérias terrestres, não como o abismo escancarado onde vêm se dissipar nossas paixões, nossos gozos e nossas ilusões, mas bem como pórtico majestoso de um novo mundo, onde uns recolherão, malgrado seu, os frutos amargos que suas fraquezas lhes terão feito semear; e outros, ao contrário, se assegurarão por seu mérito a passagem nas esferas mais puras e mais elevadas. É, pois, o Espiritismo que nos revela nossos destinos futuros, e, quanto mais for conhecido, mais a regeneração moral e religiosa ganhará em impulso e em extensão.

 

A união do Espiritismo com as ciências filosóficas nos parece, com efeito, de uma alta necessidade para a felicidade da Humanidade e para o progresso moral, intelectual e religioso da sociedade moderna; porque não estamos mais no tempo em que se podia afastar a ciência humana e preferir-lhe a fé cega. A ciência moderna é muito sábia, muito segura de si mesma, e muito avançada no conhecimento das leis que Deus impôs à inteligência e à Natureza, para que a transformação religiosa possa ter lugar sem seu concurso.
 
Conhece-se muito exactamente a exiguidade relativa de nosso globo para conceder à Humanidade um lugar privilegiado nos desígnios providenciais. Aos olhos de todos, não somos mais do que um grão de pó na imensidade dos mundos, e sabe-se que as leis que regem essa multidão indefinida de existências são simples, imutáveis e universais. Enfim, as exigências da certeza de nossos conhecimentos foram muito fortemente aprofundadas, para que uma doutrina nova pudesse se elevar e se manter sem outra base senão um misticismo tocante e inofensivo. Então, pois, que o Espiritismo quer estender seu império sobre todas as classes da sociedade, sobre os homens superiores e inteligentes, como sobre as almas delicadas e crentes, é preciso que se lance, sem reserva, na corrente do pensamento humano, e que pela sua superioridade filosófica saiba se impor à soberba razão o respeito de sua autoridade.
 
É essa acção independente dos adeptos do Espiritismo, que compreendem perfeitamente os Espíritos elevados que se manifestam. Aquele que se designa sob o nome de Santo Agostinho disse recentemente: “Observai e estudai com cuidado as comunicações que vos são feitas; aceitai o que vossa razão não rejeite, repeli o que a choque; pedi esclarecimento sobre as que vos deixam na dúvida. Tendes aí o caminho a seguir para transmitir, às gerações futuras, sem medo de vê-las desnaturadas, as verdades que distinguis sem dificuldade no seu cortejo inevitável de erros.”
 
Eis, em poucas palavras, o verdadeiro espírito do Espiritismo, aquele que a ciência pode admitir sem derrogar, e aquele que nos servirá para conquistar a Humanidade. O Espiritismo, de resto, nada tem a temer de sua aliança com a filosofia, porque repousa sobre factos incontestáveis, que têm sua razão de ser nas leis da criação. Cabe à ciência estudar-lhe a importância, e coordenar os princípios gerais, segundo a nova ordem de fenómenos. Porque é evidente que, uma vez que não tinha pressentido a existência necessária, no espaço que nos cerca, das almas trespassadas e daquelas destinadas a renascer, a ciência deve compreender que sua filosofia primeira era incompleta, e que os princípios primordiais lhe tinham escapado.
 
A filosofia, ao contrário, tem tudo a ganhar considerando seriamente os factos do Espiritismo; primeiro, porque estes são a sanção solene de seu ensino moral, e que, por eles, provará aos mais endurecidos a importância fatal de sua má conduta. Mas, por importante que seja essa justificação positiva de suas máximas, o estudo aprofundado das consequências, que se deduzem da constatação da existência sensível da alma no estado não encarnado, servir-lhe-á em seguida para determinar os elementos constitutivos da alma, sua origem, seus destinos, e para estabelecer a lei moral e a do progresso anímico sobre bases certas e inabaláveis. Além disso, o conhecimento da essência da alma conduzirá a filosofia ao conhecimento da essência das coisas e mesmo da de Deus, e lhe permitirá unir todas as doutrinas que a dividem em um único e mesmo sistema geral, verdadeiramente completo. Enfim, esses diversos desenvolvimentos da filosofia, provocados por essa preciosa determinação da essência anímica, a conduzirão infalivelmente sobre os traços dos princípios fundamentais da antiga cabala e da antiga ciência oculta dos hierofantes, do qual a Trindade cristã é o último raio luminoso chegado até nós. É assim que, pela simples aparição das almas errantes, chegar-se-á, como temos todo o ensejo de esperar, a constituir a cadeia ininterrupta das tradições morais, religiosas e metafísicas da Humanidade antiga e moderna.
 
Esse futuro considerado, que concebemos à filosofia aliada ao Espiritismo, não parecerá impossível àqueles que têm alguma noção dessa ciência, se consideram o vazio dos princípios sobre os quais se fundam as diversas escolas, e a impossibilidade que disso resulta, para elas, de explicar a realidade concreta e viva da alma e de Deus. Assim é que o materialismo pensa que os seres não são senão fenómenos materiais, semelhantes àqueles que produzem as combinações das substâncias químicas, e que o princípio que os anima faz partir de um pretenso princípio vital universal. Segundo esse sistema, a alma individual não existiria, e Deus seria um ser completamente inútil.
 
Os discípulos de Hegel, de seu lado, imaginam que a ideia, esse fenómeno indisciplinado de nossa alma, é um elemento em si, independente de nós; que ela é um princípio universal que se manifesta pela humanidade e sua actividade intelectual, como também pela natureza e suas maravilhosas transformações. Esta ideia nega, consequentemente, a individualidade eterna de nossa alma, e a confunde, num só todo, com a Natureza. Supõe que existe uma identidade perfeita entre o universo visível e o mundo moral e intelectual; que um e outro são o resultado da evolução progressiva e fatal da ideia primitiva, universal, do absoluto em uma palavra. Deus, nesse sistema, não tem igualmente nenhuma individualidade, nenhuma liberdade, e não se conhece pessoalmente. Ele não se apercebeu a si mesmo, pela primeira vez, que, em 1810, por intermédio de Hegel, quando este o reconheceu na ideia absoluta e universal. (Histórico.).
 
Enfim, nossa escola espiritualista, vulgarmente chamada o ecletismo, considera a alma como não sendo senão uma força sem extensão e sem solidez, uma inteligência imperceptível no corpo humano, e que, uma vez desembaraçada de seu envoltório, conservando em tudo sua individualidade e sua imortalidade, não existiria mais nem no tempo nem no espaço. Nossa alma seria, pois, um não sei quê sem laço com o que existe, e não preencheria nenhum lugar determinado. Deus, segundo esse mesmo sistema, não é mais compreensível. É o pensamento perfeito, e não tem igualmente nem solidez, nem estabilidade, nem forma, nem realidade sensível; é um ser vazio; sem nossa razão nele não poderíamos ver nenhuma intuição. No entanto, quem são aqueles que inventaram o ateísmo, o cepticismo, o panteísmo, o idealismo, etc.? Esses são os homens de razão, os inteligentes, os sábios! Os povos ignorantes, cujas sensações são os principais guias, jamais duvidaram nem de Deus, nem da alma, nem de sua imortalidade. A razão, somente, parece, pois, ser má conselheira!
 
Essas doutrinas, como se pode disso convencer-se, necessitam, em consequência, de um princípio real, estável, vivo, da noção do Ser real. Movem-se num mundo inteligível que não concerne à realidade concreta. O vazio de seus princípios se transporta sobre o conjunto de seus sistemas, e os torna tão subtis quanto vagos e estranhos à realidade das coisas. O próprio senso comum com isso se ofende, apesar do talento e da prodigiosa erudição de seus adeptos. Mas o Espiritismo é ainda mais brutal a seu respeito, transtorna todos esses sistemas abstractos, opondo-lhes um facto único: a realidade substancial, viva e actual da alma não encarnada. Ele lha mostra como um ser pessoal, existindo no tempo e no espaço, se bem que invisível para nós; como um ser tendo seu elemento sólido, substancial e sua força activa e pensante. Mostra-nos mesmo as almas errantes se comunicando connosco, por sua própria iniciativa! É evidente que semelhante acontecimento deve fazer desabar todos esses castelos de cartas e desvanecer, num impulso, essas soberbas bases de fantasia.
 
Mas para aumento de confusão, pode-se provar aos partidários dessas doutrinas subtilizadas, que todo homem leva em sua própria consciência os elementos suficientes para demonstrar a existência da alma, tal como o Espiritismo a estabelece pelos factos; de modo que seus sistemas, não só são erróneos em seu ponto de chegada, mas o são ainda em seu ponto de partida. Também, o mais sábio partido que resta a tomar a esses honrados sábios, é de refundir completamente sua filosofia, e de consagrar seu profundo saber à fundação de uma ciência primeira, e mais precisa e mais conforme à realidade.
 
É que, efectivamente, trazemos em nós mesmos quatro noções irredutíveis, que nos autorizam a afirmar a existência de nossa alma, tal qual o Espiritismo no-la apresenta.
 
Primeiramente, temos em nós o sentimento de nossa existência. Este sentimento não pode se revelar senão por uma impressão que recebemos de nós mesmos. Ora, nenhuma impressão se faz sobre um objecto privado de solidez e de extensão; de sorte que pelo único facto de nossas sensações, devemos induzir que temos em nós um elemento sensível, subtil, extenso e resistente: quer dizer, uma substância. Segundo, temos em nós a consciência de um elemento activo, causador, que se manifesta em nossa vontade, em nosso pensamento e em nossos actos. Consequentemente, é evidente que possuímos em nós um segundo elemento: uma força. Portanto, pelo único facto de que sentimos e de que sabemos, devemos concluir que encerramos dois elementos constitutivos, força e substância; quer dizer, uma dualidade essencial, anímica.
 
Mas essas duas noções primitivas não são as únicas que trazemos em nós. Nós nos concebemos ainda, em terceiro lugar, uma unidade pessoal, original, que fica sempre idêntica a si mesma; e em quarto lugar, um destino igualmente pessoal; porque todos nós procuramos nossa felicidade e nossas próprias conveniências em todas as circunstâncias de nossa vida. De maneira que, juntando essas duas novas noções, que constituem nosso duplo aspecto, às duas precedentes, reconhecemos que nosso ser encerra quatro princípios bem distintos: sua dualidade de essência e sua dualidade de aspecto.
 
Ora, como esses quatro elementos do conhecimento de nosso eu, que nos levam a nos afirmar pessoalmente, são noções independentes do corpo, que não têm nenhuma relação com o nosso envoltório material, é peremptório e evidente, para todo espírito justo e não prevenido, que nosso ser depende de um princípio invisível, chamado Alma; e que essa alma existe como tal, porque tem uma substância e uma força, uma unidade e uma destinação próprias e pessoais.
 
Tais são os quatro elementos primordiais de nossa individualidade anímica, dos quais cada um de nós traz a noção em seu seio, e que cada um não saberia recusar. Em consequência, como dissemos, a filosofia possuiu, de todos os tempos, os elementos suficientes para o conhecimento da alma, tal como o Espiritismo no-la faz compreender. Se, pois, até o presente, a razão humana não conseguiu construir uma metafísica verdadeira e útil que lhe haja feito compreender que a alma deve ser considerada como um ser real, independente do corpo, e capaz de existir por si mesma, substancialmente e virtualmente, no tempo e no espaço, é que desdenhou a observação directa dos factos de consciência, e que, em seu orgulho e sua suficiência, a razão se pôs no lugar e categoria da realidade.
 
Segundo estas observações pode-se compreender quanto importa à filosofia unir-se ao Espiritismo, uma vez que disso retirará a vantagem de se crer uma ciência primeira, séria e completa, fundada sobre o conhecimento da essência da alma e das quatro condições de sua realidade. Mas não é menos necessário ao Espiritismo se aliar à filosofia, porque não é senão por ela que poderá estabelecer a certeza científica dos fatos espíritas que fazem a base fundamental de sua crença, e deles tirar as consequências importantes que contêm. Sem dúvida, basta o bom senso ver um fenómeno para crer em sua realidade; e muitos se contentam com isso; mas a ciência, muito frequentemente, teve motivos para duvidar dos protestos do sentido comum, para não desconfiar das impressões de nossos sentidos e das ilusões de nossa imaginação. O bom senso não basta, pois, para estabelecer cientificamente a realidade da presença dos Espíritos ao nosso redor. Para dela ser certo de um modo irrefutável, é preciso estabelecer racionalmente, segundo as leis gerais da criação, que sua existência é necessária por si mesma, e que sua presença invisível não é senão a confirmação dos dados racionais e científicos, tais como acabamos de indicar alguns deles, de maneira sumária. Não é, pois, senão pelo método filosófico que se pode obter esse resultado. Está aí um trabalho necessário à autoridade do Espiritismo, e é só a filosofia que pode lhe prestar este serviço.
 
Em geral, para triunfar em qualquer empresa que seja, é necessário juntar o conhecimento dos princípios à observação dos factos. Nas circunstâncias particulares do Espiritismo, é muito mais necessário ainda de proceder dessa maneira rigorosa para chegar à verdade, porque nossa nova doutrina toca em nossos interesses mais caros e mais elevados, àqueles que constituem nossa felicidade presente e eterna. Em consequência, a união do Espiritismo e da filosofia é da mais alta importância para o sucesso de nossos esforços e para o futura da Humanidade.
 
 
F. HERRENSCHNEIDER.
Espíritas amai-vos; espíritas instrui-vos.
Outubro 2017
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