¨ O Livro dos Espíritos    Tradução Guillon Ribeiro – FEB

Escolhas das Provas

Pergunta 265 – Havendo Espíritos que, por provocação, escolham o contato do vício, outros não haverá que o busquem por simpatia e pelo desejo de viverem num meio conforme os seus gostos, ou para entregar-se materialmente a seus pendores materiais?

Resposta: Há sem dúvida, mas tão somente entre aqueles cujo senso moral ainda está pouco desenvolvido. A prova vem por si mesma e eles a sofrem mais demoradamente. Cedo ou tarde compreenderão que a satisfação de suas paixões brutais lhes acarretou  deploráveis consequências, que lhes farão sofrer durante um tempo que parecerá eterno. E Deus os deixará nessa persuasão, até que se tornem conscientes da falta em que incorreram e peçam, por impulso próprio, lhes seja concedido resgatá-la mediante úteis provações.

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O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Kardec/Miramez

Questão 265 comentada

0265/LE

ESCOLHA POR AFINIDADE

Há também Espíritos que escolhem nascer em um reduto viciado por gostarem do vício e sentirem necessidade de estar envolvidos nele. Nesses, o senso moral ainda não tem desenvolvimento bastante para lhes mostrar que eles devem se esforçar, no sentido de adquirir a decência nos caminhos que percorrem.

Não há uma regra geral nas escolhas das provações, mas, todas elas nos trazem lições, mais ou menos demoradas, que o tempo fica encarregado de nos transmitir pelos processos da dor. As deduções que a razão nos oferece, para escolher essa ou aquela provação, vêm impulsionadas pelos nossos sentimentos, pelo tipo de escolha.

Os benfeitores espirituais nos conhecem, entretanto, na hora de conceder o escolhido, o automatismo do sim ou do não é mais profundo do que se pensa. Primeiramente, ele vem de Deus, porque todas as decisões partem d’Ele, o Supremo Mandatário do Universo, e, por vezes, nasce no candidato, por inspiração de alguém que o ajuda nas lutas de cada dia, como avalista da riqueza da vida na carne que vai receber.

Os que escolhem tipos de provas para satisfazer suas paixões brutais, mais cedo ou mais tarde, arrepender-se-ão das suas escolhas. Embora conhecendo a inconveniência do caminho, Deus lhes concedeu como aprendizado, pois ao descobri-los é que o Espírito permanecerá nos roteiros de luz.

Se já temos alguma luz de entendimento acerca das leis de Deus, que regulam todas as coisas, não percamos tempo com o chamado mal; as ilusões nos fazem sofrer, até que conheçamos a verdade. Ela é Deus de braços abertos, pelos braços do Cristo, a nos convidar para a felicidade.

Devemos aprender com mais brevidade a ciência do bem viver, que ela é porta de luz que nos mostra a paz de consciência. Se já sabemos escolher melhores caminhos para o nosso bem-estar, trabalhemos na inspiração dos outros. Que seja no silêncio, de modo que eles, pela sugestão dos nossos exemplos e das nossas orações, possam encontrar mais depressa o Cristo no próprio coração.

A criatura inteligente percebe, pelos seus próprios pensamentos, a que classe de Espíritos pertence, na escala do progresso; basta analisar o que só as ideias lhes mostram, o prazer que têm com tais ou quais atitudes. Conhecemos o bem e o mal, por hereditariedade das leis que vibram dentro de cada um. Se o homem tem prazer em viver no meio de desequilibrados, é um deles. Por aí, analisemos as nossas atitudes, certificando-nos de que somos, diante dos que nos buscam por sintonia.

Esforcemo-nos todos os dias no combate às más inclinações, e não esmoreçamos nessa luta porque, se procurarmos Jesus para nos ajudar nas lutas, venceremos a nós mesmos, ganhando a paz e aprendendo a amar em todos os rumos da vida. Deus concede o que Lhe pedimos, quando acha conveniente para o nosso despertamento espiritual. Às vezes, o atendimento é demorado; isso não importa; importa é que abramos os olhos para a luz do entendimento.

Não amaldiçoemos os que estão imersos no vício, nas paixões inferiores, porque é no meio deles que o sofrimento os desperta para a reta moralidade. Depois, eles passarão a buscar uma norma de proceder mais eficiente, que o tempo lhes mostrará. Se queremos ajudar com mais proveito, ajudemo-los com pouca teoria, mas, com muita vivência