(Revista Espírita de outubro de 1860 – Dissertações espíritas)

Deveria haver na Terra dois campos bem distintos: os homens que fazem o bem abertamente e os que fazem o mal abertamente. Mas, não! O homem não é franco mesmo no mal; ele afeta virtude. Hipocrisia! Hipocrisia! Deusa poderosa! Quantos tiranos tu criaste! Quantos ídolos fizeste adorar! O coração do homem é realmente muito estranho, pois pode bater quando ele está morto; pois pode amar, em aparência, a honra, a virtude, a verdade, a caridade! Diariamente o homem se prostra ante estas virtudes e diariamente falta à sua palavra, desprezando o pobre e o Cristo. A cada dia ele mente, diariamente ele é tartufo. Quantos homens parecem honestos porque a aparência muitas vezes engana! O Cristo os chamava sepulcros caiados, isto é, a podridão interna, o mármore por fora, brilhando ao sol. Homem! Na verdade pareces essa morada da morte, e enquanto teu coração estiver morto, Jesus não te inspirará, Jesus, esta luz divina que não clareia exteriormente, mas que ilumina interiormente.

A hipocrisia, entendei bem, é o vício da vossa época; e quereis fazer-vos grandes pela hipocrisia! Em nome da liberdade, vos engrandeceis; em nome da moral, vos embruteceis; em nome da verdade, mentis.

Muita Paz

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