Quando entro nas catedrais

Onde espero encontrar a paz,

Vejo um Cristo pendurado,

Numa cruz feita de ouro

Que pereniza o desdouro

De um erro que está

gravado.

 

Mas eu busco um de verdade,

Não que me inspire piedade

Traido e preso ao madeiro;

Quero um Cristo que oriente,

E que minha alma apascente

Ao me servir de luzeiro.

 

Meu Cristo é o Cristo divino

Igual aquele menini

Que nasceu na manjedoura,

Porque aquela criança

Veio trazer a esperança

De uma fé imorredoura.

 

O Cristo que eu necessito

É um ser calmo e bonito,

Que não conheceu fracasso.

Por isso em minha missão

Eu uso a sua lição

para guiar os meus passos.

 

O filho do Carpinteiro,

Vendido no mundo inteiro,

Por religiosos venais.

Serve hoje de criado

E nos templos é usado,

Em sórdidos comerciais;

Quero o Cristo caminhando,

pelas ruas ensinando,

E não um morto pregado,

Abandonado e sozinho,

Com uma coroa de espinhos

E o peito dilacerado.

 

Não quero o Cristo suarento,

Exibindo sofrimento

Imóvel, quase sem luz.

Quero vê-lo entusiasmado,

Tendo o rosto iluminado,

Como era o Mestre Jesus.

 

Eu busco o Cristo da paz,

E não esse que ali jaz,

jogado como indigente,

Quero-o de sandália e manto,

Andando e enxugando o pranto,

Daquele que está doente.

 

Meu Cristo é o Cristo de Deus,

Que ama até mesmo os ateus,

pois faz de homens irmãos.

   Este é o meu Cristo Jesus,

Que me orienta e conduz

Nas lutas da evolução.

                                                                                                                                                                    RIE – setembro de 2010                      Octávio Caúmo Serrano

 

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