A crença na Reencarnação faz parte de outras religiões há milhares de anos. A Reencarnação, portanto, não é obra do Espiritismo. A doutrina reencarnacionista advém de longas datas, de grandes vultos do passado, de civilizações antigas e diversas, etc. Não obstante, a Doutrina Espírita, abraçou a ideia da Reencarnação, estudando-a, sistematizando-a e difundindo-a por todo o mundo. Não é a toa que o processo reencarnatório é um dos princípios, senão o principal de todos, que fundamenta a estrutura doutrinária do Espiritismo.   

E na Bíblia? A idéia de reencarnação pode ser encontrada na Bíblia?  

No Novo Testamento, Jesus Cristo, em três vezes admitiu o retorno do Espírito a um novo carpo material. No evangelho de Mateus (16:13), há referência expressa sobre a Reencarnação. Vejam: quando Jesus chegou às portas da Caesarea Philippi, perguntou aos seus discípulos: quem os homens dizem que eu sou? Eles responderam: uns dizem que tu és João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas. A referida resposta denuncia que os Judeus acreditavam na imortalidade da alma e na sua reencarnação. Também célebres figuras da Roma antiga eram notoriamente adeptos da reencarnação. Cícero, Virgílio, Ovídio e o próprio Julio Cesar defendiam os princípios da imortalidade da alma e do seu regresso à matéria. Os Celtas, que habitavam um território que se estendia do País de Gales à França, também incorporaram à sua cultura a teoria reencarnacionista. O próprio Kardec reconhecia ter sido, em uma de suas encarnações, um sacerdote druida, motivo que fez com que adotasse o pseudônimo Allan Kardec. Sim, incontáveis relatos de reencarnação estão consignados na Bíblia Sagrada e também são expressivos e valiosos os depoimentos de grandes santos e doutores da igreja.

A primeira dessas passagens que Jesus admitiu o renascimento do Espírito foi quando João Batista enviou dois discípulos para falarem com o Mestre. Ele queria ter a certeza que Jesus era realmente o Messias esperado pelos Judeus.  Ele confirmou que era realmente o Messias prometido, respondendo: E se vós o quereis compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos para ouvir, ouça! Com essas palavras, Jesus admitiu, portanto, que João Batista era o próprio Elias reencarnado com o objetivo de preparar seu caminho espiritual junto ao povo Judeu. Quando o Mestre confirma que João Batista era Elias que estava por vir, ele estava admitindo a volta do espírito a um novo corpo, portanto, estava firmando mais uma vez a existência do processo reencarnatório.

A segunda vez foi no Monte Tabor, após sua transfiguração. Estando presente Pedro, João e Tiago. Conforme o relato de Marcos, ele conversou com os espíritos de Elias e de Moisés. Os discípulos ao descerem o Tabor, pediram explicação sobre o que havia ocorrido e diante do questionamento, o Mestre respondeu: Mas digo-vos que Elias já veio, e fizeram dele quanto quiseram como está escrito dele. Então eles entenderam que João Batista teria sido Elias e que foi degolado a mando de Herodes e por isso, já havia voltado para Espiritualidade. O que aconteceu na verdade com João Batista foi o cumprimento da lei a cada um segundo suas próprias obras em virtude da dívida assumida por Elias perante as leis de Deus, ao ter mandado degolar os adoradores de Babel.

A terceira passagem do Evangelho na qual Jesus se refere com outras palavras a reencarnação foi o diálogo com Nicodemus, ao ser questionado pelo doutor da lei sobre o que seria necessário para o reino dos céus. Quando Jesus disse: Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Diante desta resposta Nicodemus perguntou: Como pode nascer um homem já estando velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe para nascer pela segunda vez? E Jesus respondeu-lhe: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo. Com essa resposta outra vez Jesus confirma a lei da reencarnação.

Enfim, ao dirigirmos os nossos olhos para o passado, a teoria da reencarnação é tão antiga como a história do próprio homem. Os povos antigos sempre se mostraram sensíveis à crença na reencarnação, aceitando-a e atribuindo-lhe um grande destaque religioso. O budismo e várias seitas hindus, por exemplo, sempre acataram a reencarnação da alma. O mesmo se pode dizer dos primeiros cristãos, dos antigos egípcios e dos antigos gregos, que tinham na reencarnação um dos pontos básicos de suas crenças. Como se vê, portanto, o Espiritismo não criou, não inventou a Reencarnação. Aceitando-a como herança de eminentes filosofias e de respeitáveis doutrinas, de Jesus e de seus discípulos, e confirmada, há seu tempo, pelos Espíritos Superiores, o Espiritismo promoveu o seu estudo, a sua difusão, a sua exegese. Há mais de um século, o Espiritismo apresenta-a por único meio de crermos num Pai Justo e Bom, que dá a cada um “segundo as suas obras” e como elemento explicativo da promessa de Jesus de que “nenhuma de suas ovelhas se perderia”. Com a Reencarnação, temos Justiça equânime, refletindo a ilimitada Justiça Divina; a reencarnação nos mostra um Deus que perdoa sem tirar ao culpado a glória da remissão de seus próprios erros. Um Deus que perdoa, concedendo ao culpado tantas oportunidades quantas ele necessite para repara todos os males que praticou em vidas passadas.

 

Muita paz a todos!

Anúncios