As parábolas são pequenas histórias, são alegorias que parecem dizer coisas diferentes daquilo que está escrito. Jesus Cristo ensinava por meio de parábolas quando esteve entre nós. Ele aproveitava os fenômenos da natureza, os costumes rurais, os hábitos do povo, etc. para que pudesse ser mais bem compreendido por aqueles que estavam ali, em busca dos seus ensinamentos.

Não obstante, para compreendermos as parábolas é preciso buscar o verdadeiro espírito das mesmas. Ou seja, é preciso tecer, para melhor entender, uma exegese* até encontrar o sentido espiritual dos ensinos contidos em cada parábola.

A Parábola do Semeador é uma das mais belas parábolas ensinada e explicada por Jesus. Naquele dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se a beira do mar e em torno dele reuniram-se várias pessoas. Ele entrou num barco, sentou-se e começou a falar:

O semeador saiu para semear suas sementes. E quando semeava, uma parte caiu à beira do caminho, vieram as aves e as comeram. A segunda parte caiu nas pedras, onde não havia terra suficiente, logo as sementes nasceram. Mas, veio o sol e as queimaram, matando-as, pois não tinha umidade suficiente. A terceira parte das sementes caiu entre os espinhos, com elas cresceram, mas os espinhos as sufocaram e elas morreram. A quarta e última parte caiu em boa terra e tendo crescido, deu frutos. Umas cem por um, outras a sessenta e outras a trinta.’

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.

Então um dos seus discípulos perguntou a Jesus:

– Mestre o que significa o ensino desta parábola?

E Jesus respondeu:

– A vós é dado o direito de conhecer certos mistérios de Deus. Mas a outros ainda não é chegada a hora. Eles ouvem, mas não entendem, mas vós tendes condições. Ele fez uma comparação de quatro tipos de solo de acordo com a evolução espiritual de cada um.

A semente é a palavra de Deus; para os que estão na beira da estrada, para os que estão sob as pedras, para os que estão entre os espinhos e para os que estão sobre a boa terra.

E o semeador desta parábola é Jesus Cristo, as sementes são os ensinamentos de Deus que foram distribuídos pelo mundo. As terras que recebem as sementes representam o estado moral e intelectual de cada um de nós.

O caminho da beira da estrada é um solo compacto, as sementes ficam fáceis de serem comidas pelas aves; assim são os corações endurecidos dos que não se deixam tocar pelas palavras do Senhor. São pessoas que não confiam em ninguém, que valorizam excessivamente os bens materiais, etc. Algumas dessas pessoas nem acreditam em Deus, acreditando que precisam viver com excessos, pois a vida é uma só. Jesus compara as aves aos espíritos maus, que aproveitam a incredulidade e o egoísmo dessas pessoas.

As sementes que caíram nas pedras, as quais morreram por falta de umidade e profundidade do solo são comparadas as pessoas que ouvem as palavras de Deus e ficam encantadas, mudam suas vidas radicalmente e tudo que fazem é voltado para Deus, acreditando que não terão mais problemas. Mas a vida não é assim A escolha e a dedicação em servir a Deus não nos livra das nossas dívidas. Ela nos dá forças para suportarmos as nossas provas e expiações.

Quando surgem os problemas, tais indivíduos ficam decepcionados, sentem-se injustiçados por Deus e abandonam a sua fé. Como diz a parábola, a semente nasceu, mas não tinha raízes profundas para crescer, veio o sol da descrença e queimou a fé.

As sementes que caíram no espinho representam as pessoas que escutam as palavras do Senhor, entendem e até as aceitam, mas têm muitos afazeres, não tem tempo para se dedicar a sua crença, adiam sempre e sempre.

A última parte das sementes que caiu em terra boa, finalmente, diz respeito às pessoas que entendem que a vida material não é tudo, buscam o caminho do Senhor, buscam respostas e consolos para suas aflições, buscam amar ao próximo, a prática da caridade é um hábito em suas vidas. São pessoas que visam mudar os seus vícios para melhor seguir as leis de Deus; Meus irmãos! Deixemos brotar essas sementes dentro dos nossos corações, para que elas possam nascer, florescer e se fortificarem cada vez mais. Vamos “adubar” os nossos corações para que possamos receber os ensinamentos de Deus, sem perder a fé, a esperança, etc., afinal, não podemos deixar que os nossos defeitos sufoquem as “sementes”, isto é, a fé, a palavra de Deus.

Muita paz a todos!

*Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário. A exegese, assim como todo saber, tem práticas implícitas e intuitivas. A tarefa da exegese dos textos sagrados da Bíblia tem uma prioridade e anterioridade em relação a outros textos. Isto é, os textos sagrados são os primeiros dos quais se ocuparam os exegetas na tarefa de interpretar e dar seu significado. A palavra exegese deriva do grego exegeomai, exegesis; ex tem o sentido de ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por; quer dizer, no caso, conduzir, guiar.

Por isso, o termo exegese significa, como interpretação, revelar o sentido de algo ligado ao mundo do humano, mas a prática se orientou no sentido de reservar a palavra para a interpretação dos textos bíblicos. Exegese, portanto, é a denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. Orígenes, cristão egípcio que escreveu nada menos que 600 obras, defendia a interpretação alegórica dos textos sagrados, afirmando que estes traziam, nas entrelinhas de uma clareza aparente, um sentido mais profundo. O termo exegese restou ligado à interpretação alegórica, ensejando abusos de interpretação, a ponto de alguns autores afirmarem, ironicamente, que a Bíblia seria um livro onde cada qual procura o que deseja e sempre encontra o que procura.

Ser exegeta é aplicar o texto no contexto cultural da época do texto lido e extrair os princípios morais e culturais para o tempo presente. (by wikipedia).

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